Paulo Henrique Rodrigues Pinheiro

Blog sobre programação para programadores

Sobre a carreira de desenvolvedor de software

Algumas questões que me vieram à cabeça escutando uma palestra sobre carreira

NASA, IBM 7090, 1962

Por NASA - Esta mídia está disponível no acervo do National Archives and Records Administration, catalogada sob o identificador ARC (National Archives Identifier) 278195., Domínio público.

A Palestra

Num momento de descanso, buscando conteúdo sobre a profissão, topei uma excelente palestra do Bernard de Luna, intitulada O que não lhe contaram sobre a carreira de DEV.

Tudo ia muito bem, muitas informações levantadas, tabuladas e analisadas.

O Bernard apresenta a conjuntura vivida pelos desenvolvedores. Muitas vagas, muito além da quantidade de pessoas qualificadas, diversidade, carreira no exterior, salários em alta, e um crescimento específico no subsetor de desenvolvimento, apesar de uma grande queda da área de TI. As questões, que além do salário, são importantes para que um desenvolvedor se apegue a uma empresa.

Meu contraponto

Estava na altura do quarto final da palestra, e minha esposa quase teve um troço escutando essa parte comigo! Ele abordou um importante problema, mas de uma forma um tanto inadequada.

A velha polêmica sobre trabalhar com desenvolvimento aos quarenta, quarenta e cinco anos ou mais. Na visão dele isso é um problema, é estar estagnado na carreira.

"Você se vê com 65 anos (...) se aposentando como programador?"

O que ele chama de movimento de "manutenção". Isso é muito anos 1980. Essa obrigação preconceituosa ainda persiste, mas não tem mais espaço. O trabalho intelectual aperfeiçoa-se com o tempo e o acúmulo de experiência. E desenvolvimento é, em primeiro lugar, trabalho intelectual. E programar não é apenas codificar loucamente. Essa visão errônea é a raiz de toda essa confusão.

"Você acha que você vai estar com 45 anos ainda estudando as novas tecnologias?"

E ainda conclui que nesse o ponto o salário irá estagnar e diminuir.

Ele questiona se, nessa idade, ainda há disposição para acompanhar as novidades, se há paciência para isso... Em uma visão preconceituosa, nessa idade, quando se pode até já ter netos, segundo ele, ou tem-se a obrigação de partir para posições de comando, como se fosse superiores.

Isso é desconhecer completamente a profissão de desenvolvedor de software. A carreira ruma de um cuspir código alucinadamente, até o ponto em que mais se apaga código do que se produz, em que mais se discute do que escreve.

A própria tecnologia possibilita que pessoas mais velhas, com mais experiências, e nem tão sucestíveis a modismos, possam trabalhar de suas casas, remotamente, para empresas em qualquer lugar no mundo.

E sim, buscando e lutando por inovação.

Há um ponto na carreira, em se passou por tantas mudanças de paradigmas (computador pessoal, sistemas gráficos, rede, internet, ...), que o aprendizado, e mais importante, a avaliação sobre o que aprender, tornam-se mais eficientes.

Já fui obrigado a conviver com jovens que só de escutar a palavra "antigo" começavam a dar risadas. Mas não são só jovens, há uma epidemia da síndrome de Peter Pan, que não permite a muitos perceber a evolução da técnica, da ciência, da sociedade, através dos tempos.

E mesmo as rupturas, só são possíveis através de longas construções.

Mais uma consideração, é que as falas dele são apoiadas em uma pesquisa realizada com uma boa amostra, mas que, acredito, não muito representativa para avaliar a carreira como um todo.

Arrisco-me a dizer que todas essas conclusões tem mais a ver como boom do desenvolvimento para WEB, do que para todo a categoria de profissionais de TI.

Mas fica o conselho dele, de tratar a carreira como um produto. Pessoalmente, somente após fazer isso é que consegui me reposicionar e melhorar meu salário e escolher onde trabalhar.

Vale a palestra, já valeu a reflexão.

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