Paulo Henrique Rodrigues Pinheiro

Blog sobre programação para programadores

Anti-socializando nas redes

Um pouco sobre como resolvi assumir minha anti-socialidade e não gastar tempo com certas redes sociais, além de vencer uma pesada depressão.

2001 - Uma odisseia no espaço

Tentando socializar

Pois bem, estamos na Internet, temos que nos relacionar, construir networking, produzir conteúdo, participar de comunidades, contribuir em projetos, e ficar susse com todos os outros aspectos da vida.

E lá fui eu, depois de cometer orkuticídio, participar do Facebook e do Twitter, e por fim, do Linkedin.

Facebook

Distraí-me por alguns anos no Facebook e, por minha culpa, somente minha, perdi muito tempo, irritei-me bastante, e devo ter irritado muita gente. Topei pessoas interessantes, coisas legais, mas no balanço geral, muito pouco aproveitei.

Pra disfarçar no Face, estava em muitos grupos de programação, mais escutando, e eventualmente participando. Mas principalmente, percebi pelo Facebook a escalada de ódio político na qual nos jogamos, na qual o país está afundado. Da velha militância política de outros tempos, eu já sabia o caminho que o país percorreria, inclusive o golpe de estado e a violência estatal sem tamanho a que justamente os mais desprotegidos estão sujeitos. A rasteira levada pela socialdemocracia e o despertar das forças revolucionárias.

Linkedin

Voltando ao assunto, quando fiquei desempregado, quase me tornei um especialista em Linkedin. Tudo que é recomendado fazer para ter um perfil "campeão", eu fiz. O que valeu à pena no Linkedin, é que quando pedi recomendações, as boas amizades do passado se fizeram presentes, até me surpreendendo pelo carinho com que me recomendaram.

Todo esse trabalho nunca me rendeu uma oferta de trabalho ou emprego.

Participação em grupos, tentei, mas é muito chato. O pessoal que participa desses grupos quer mais "se aparecer", de um jeito muito ruim. Escrevi no Pulse, alguns poucos e leais leitores.

Outros

Modinha de startup também participei, estando nas redes sociais apropriadas, como a CoFoundersLab, na qual tive um pouco de proveito, me oferecendo como sociotécnico, e até pagando de CTO. Muita conversa, muitos planos, muito debate, e muita energia gasta.

Caindo fora

Estimulado pela minha esposa, que já tinha cancelado seu Face, decidi também cancelar. Analisando friamente os resultados do Linkedin e os rumos de minha carreira, decidi sair.

Fiquei um tanto preocupado com o Linkedin. Mas o bom e velho currículo e a conta no github (que é de inciante mesmo) são os meios pelos quais tenho conseguido chamar a atenção para trabalhos e entrevistas de emprego.

Enfim, analisei meu impacto nessas redes sociais, percebi a realidade, e caí fora.

Voltando às origens

Sou nerd, quero nerdices! Agora tenho um fluxo de informações bem mais adequado e interessante. Basicamente por intermédio do Medium, do Twitter, do /dev/all, e do Youtube, o qual enxuguei bastante a lista de canais que sigo.

Com tudo isso, venci uma depressão brabíssima, que além de quase acabar comigo, praticamente acabou com minha carreira profissional.

Ressurgindo das cinzas, consegui alguns freelas fora do Brasil (eu sou péssimo para me comunicar em inglês, e estou falando de inglês escrito, mas leio de boa), alguns dentro do Brasil, e um projeto de mais logo prazo, que é o que está me garantindo financeiramente agora.

Alguns testes e entrevistas, que apesar de não terem dado em nada, levantaram minha moral. Estou desenvolvendo em Ruby (aprendendo), aprendendo Rust, criando vergonha na cara e aprendendo pra valer HTML, CSS e Javascript.

Pra quem já passou pela depressão, sabe o quão preocupante são os momentos de compulsão. Felizmente estou normal, conseguindo concluir o que me proponho, e não me impondo infinitas atividades.

E a volta às origens? É a volta da alegria, do enfrentamento direto com as dificuldades da vida, a volta a um estado permanente de aprendizado e descobertas.

Vida além dos computadores tenho em casa, com minha esposa, com minhas filhas, com os amigos. Que as redes sociais continuem me sendo úteis para o que elas são úteis!

Sobre a depressão

Uma das únicas coisas que fiz, quando estava no mais profundo de minha depressão, foi criar o ProgramadorBipolar. Espero que esse seja o último texto desse blog. O primeiro em que mostro quem sou.

A única ajuda que busquei foi um aprofundamento em minha relação com Deus, e isso serviu para mim, me ajudou, me libertou. Mas cada um é cada um, e é preciso, nesse abismo profundo, encontrar o que possa reverter esse quadro, ou pelo menos, nos manter vivos até que "la tortilla se vuelva".

Se você que me acompanhou, quando me fiz anônimo, passa por coisas parecidas, resista e lute. Não faça como eu, procure ajuda. E se a ajuda que você precisar for um bom escutador, esse sou eu, é só me procurar.


Compartilhe:



Mantenha contato:

e-email twitter github