Paulo Henrique Rodrigues Pinheiro

Blog sobre programação para programadores

A saga: deixando de ser um nerd útil para tornar-se empreendedor

Deixando de ser funcionário e tornando-se empreendedor.

Original: http://public-domain-photos.com/vehicles/sailingboat-3.htm

Quem quer passar além do bojador, tem que passar além da dor.

Fernando Pessoa, Mar Português

Encontrar-se. Pode ser uma longa jornada, com muitas dores, mas também pode ser um simples passo. Vou falar um pouco sobre minha experiência de sair de uma longa carreira como empregado, para passar a empreendedor.

Os versos citados são de um poema que possui outros dois versos muito conhecidos: "Tudo vale à pena, se a alma não é pequena". Vale a leitura completa do poema, e especialmente da obra em que o texto está inserido.

Nele, Fernando Pessoa sintetiza a história de Portugal, numa das mais maravilhosas manifestações artísticas, pois fala do povo, da economia, da história, das consequências, da posição de Portugal no longo parto do capitalismo.

E o que isso tem a ver com deixar de ser um nerd útil para tornar-se empreendedor?

Primeiro esclareçamos:

Nerd útil

Penso em alguém com capacidade de execução, um conhecimento técnico bem específico, muito necessário dentro das empresas. Em geral, criativo e crítico. E é aí que a coisa pega. Criatividade e criticidade são coisas que não funcionam bem dentro das empresas tradicionais.

Empreendedor

Alguém ansioso por construir soluções que resolvam problemas reais, com capacidade de execução, organização, conhecimentos muito diversificados, crítico e criativo, além de grande articulador. Um excelente administrador de recursos. Um exímio vendedor.

A saga

Sendo um nerd, tento ser útil, resolver problemas, otimizar processos, mas sempre preso a limites muito arbitrários. Os limites da mediocridade humana, do comportamento corporativista, da canalhice que muitas vezes norteia a corrida para o "sucesso profissional".

Estar dentro de uma empresa normal é, em geral, frustrante, a não ser no início, quando tudo é novidade, quando se está resolvendo os problemas que diretamente justificaram a contratação.

Após isso, as gangues internas já estão identificadas, e pode-se até mesmo, ser parte de uma.

Em algum momento, nova oportunidade, migra-se para outra empresa, para novos desafios, novos ares, enfim, para um renovo na vida profissional, que se reflete na vida pessoal. E assim, a experiência vai sendo construída, competências novas e antigas vão se firmando.

E apesar dos desgastes e frustrações, pode-se ter isso como modelo de vida inevitável, pois as relações humanas são difíceis mesmo. E há quem goste e não veja grande problema em fazer essa travessia ao longo de sua vida, até atingir a realização de um sonho, como um negócio próprio, uma nova profissão, ou mesmo a aposentadoria, que pode ser o pontapé para a realização desses sonhos.

Mas quando se passa toda uma vida questionando processos que se repetem em diferentes empresas, questionando a competência e decisões de seus líderes, e não aceitando essa forma de viver como um modelo normal, pode ser que o nerd esteja precisando de uma grande dose de empreendedorismo.

Resolver um problema presente no mercado, usando de suas competências técnicas e administrativas. Ser um vendedor, ser responsável pelas decisões estratégicas, planejar taticamente o curto prazo. Conquistar sócios e parceiros de negócios. São ações muito interessantes, difíceis e estimulantes.

Ser ou não ser

Particularmente, acredito que o caminho do empreendedorismo só me foi possível por toda a gama de experiências e aprendizados que tive sendo funcionário em empresas. Resolvi os mais diversificados problemas, participando de memoráveis equipes (pelo bem e pelo mau), estando sob o jugo das mais diversificadas formas de administrar um negócio.

O meu diferencial está nessa experiência aliada às minhas competências técnicas. Meu eu. Quase três décadas de experiência, programando e administrando sistemas desde os 14 anos de idade, passando por todos os modismos tecnológicos, antes mesmo da Internet comercial no Brasil.

Portanto não se trata de simples escolha. Acredito que muitos tem aptidões. Alguns podem ser o que bem quiserem, mas não é o caso geral. Se você tem a oportunidade de estudar bem um campo do conhecimento, e deseja trabalhar em empresas já estabelecidas, isso é bom, isso é necessário. Há muitas empresas com boas oportunidades esperando bons profissionais.

Se você tem essa oportunidade de se aprofundar num campo de conhecimento, e vê os desafios do empreendedorismo com simpatia, procure o seu problema a resolver. Há muitas oportunidades esperando bons empreendedores.

E o melhor, você pode ter as duas experiências ao longo de sua vida, ou até mesmo simultaneamente.

O meio termo

Também tenho a experiência de ser um freelance. Não foi uma boa experiência. Tudo que pode ser ruim como empregado pode tornar-se pior como freelance. Mas há quem tenha sucesso trabalhando por conta, especialmente se tiver consciência de que deve valorizar-se e colocar-se como consultor. Não como título, mas posicionar-se como tal, ser efetivamente um.

Coloco como meio termo, pois não se está limitado a um problema, a um empreendimento, mas também não está preso a uma empresa apenas. E ainda pode ser também uma ótima experiência rumo ao empreendedorismo.

Administrar os próprios recursos, não ter um salário garantido, ter uma certa liberdade em relação a horários, ter que prospectar clientes e negociar o tempo todo. É um ótimo treinamento para quem tem sede de empreender.

Para mim não foi o melhor caminho, mas paguei algumas contas e aprendi muito sobre como lidar com clientes.

A poesia

Mesmo passando por grandes frustrações, desesperos e incertezas, vale à pena! E para um nerd, sedento de novos conhecimentos e problemas a resolver, e contribuições para seu meio social, não há maneira melhor de conseguir tudo isso, do que navegar no mar do empreendedorismo.

E se você está pensando em empreender, ou ser freelancer, ou ser consultor, ou quer apenas conhecer, alguns lugares com muita coisa informação são:


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