Raúl Antonio Capote Fernández e seu livro, foto de Katia Marko para o Brasil de Fato/RS
Um dos esforços permanentes da Revolução Cubana é a infiltração em organizações e atividades contrarrevolucionárias das mais diversas naturezas. Desde grupos francamente terroristas até organizações culturais, movimentos políticos, redes de agentes infiltrados e operações conduzidas tanto dentro quanto fora da ilha.
Raúl Capote é um professor universitário respeitado, escritor, admirado por seus alunos, profundamente ligado ao universo da cultura cubana. Defensor da Revolução, crítico de seus desvios e sectarismos, era também, discretamente, um agente do serviço de segurança do Estado.
Este livro não é um manual de contraespionagem. É o relato de parte dessa trajetória — uma experiência que o próprio autor descreve como profundamente dolorosa.
Dolorosa porque exigiu conspirar com o inimigo.
Não com grupos terroristas locais, panfletários, financiados do exterior ou a máfia anticastrista de Miami, mas diretamente com representantes diplomáticos do Império. Deles recebeu equipamentos de comunicação via satélite de última geração, treinamento e missões cuidadosamente planejadas.
Foi submetido a sucessivos testes de confiança por uma máquina de inteligência experiente em desestabilizar governos, destruir experiências socialistas e fomentar golpes e levantes em diversos países.
O alvo era a juventude.
Justamente ele, professor profundamente ligado aos jovens. Justamente a Revolução Cubana, cuja própria história está intimamente associada à juventude.
Era esse o terreno que a CIA pretendia ocupar.
Capote teve de suportar essa convivência durante anos, engolindo cada provocação e cada plano, até que chegou o momento de revelar tudo ao povo cubano, em cadeia nacional de televisão, expondo as operações das quais participara como agente infiltrado.
Mais uma vez, o Império fracassou.
O livro
CAPOTE, Raúl Antonio. Inimigo: A guerra da CIA contra a juventude cubana. Rio de Janeiro: Consequência Editora, 2023. 232 p.

